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Mostrando postagens de março, 2026

Moscou Contra 007: Lá e de Volta Outra Vez

"Moscou Contra 007", ou, como preferem os anglófonos em sua objetividade quase rude, "From Russia with Love". O que temos diante de nós não é meramente uma fita de cinematógrafo destinada ao deleite das massas iletradas que buscam o entorpecimento nos subúrbios de Londres ou Paris. Trata-se, antes, de uma coreografia de sombras, uma sinfonia de espionagem que, embora se pretenda moderna com seus engenhos mecânicos e tramas geopolíticas, exala o odor arcaico e fascinante das tragédias gregas transpostas para o aço dos comboios ferroviários. O diretor Terence Young, agindo como um *maestro* que rege uma orquestra de percussões metálicas, conduz-nos por um labirinto onde o *hedonismo* e a *morte* dançam um *minueto* perigoso. James Bond, interpretado por Sean Connery — um homem cuja presença física possui a solidez de uma escultura de Rodin e a agilidade predatória de um leopardo das neves —, é o arquétipo do dândi marcial. Há nele uma ambivalência que o aproxima mais ...