OS MELHORES FILMES de 2025: O Ano em que a Tensão Ultrapassou o Espetáculo
O ano de 2025 terminou tendo, ao longo dos tradicionais 12 meses, uma ótima safra de filmes que levarão a um Óscar disputado em março do ano que vem. Agora que 2025 está prestes a acabar, venha conferir conosco a lista dos melhores filmes do ano, E foi um ano curioso, desses que lembram que o cinema ainda respira pelo que sempre soube fazer: contar histórias sem pedir permissão ao tempo. Entre estreias grandiosas e obras menores que surpreenderam pela firmeza, vimos diretores veteranos retomarem velhas manias e novos nomes arriscarem passos que muitos diriam temerários. Nada de milagres, apenas trabalho afinado, como antigamente, quando a película era frágil e o ofício exigia paciência, O público, sempre dividido entre modas passageiras e velhas lealdades, encontrou neste ano um equilíbrio improvável. Houve quem buscasse o espetáculo ruidoso, houve quem preferisse a narrativa que cresce devagar, sem truques baratos. E, no meio disso tudo, o cinema provou que ainda consegue surpreender não porque inventa o futuro a cada lançamento, mas porque resgata as raízes e lembra que a tradição também sabe reinventar-se, Assim, ao revisitar 2025, vemos um panorama sólido, feito de escolhas conscientes e de um certo retorno à essência. Não foi um ano perfeito, mas foi honesto, e talvez seja isso que o mantém vivo na memória. Agora, é hora de passar os olhos por cada um desses filmes que marcaram a temporada e entender por que continuam a ecoar, mesmo quando as luzes da sala já se apagaram.
10. Como Treinar o seu Dragão(LIVE ACTION)
Diretor: Dean Deblois
O filme live action de Como Treinar o Seu Dragão chega com aquele misto de familiaridade e estranhamento que só uma nova leitura consegue provocar. Ele reencena a história já contada no romance e no longa de 2010, mas evita a simples repetição. Prefere revisitar o enredo com outra sensibilidade, mais terrosa, mais crua, como se buscasse arrancar o mito do pedestal e recolocá-lo no chão onde nasceu, Aqui, vemos o mundo deles com outra textura. A curiosidade do espectador aquela velha pergunta de como seria viver num lugar onde dragões não são lenda, mas ameaça constante é tratada sem floreios. O filme insiste em mostrar o que sempre esteve por trás das cores e da animação: um povo que sobrevive no limite, numa vila quase idealizada, perdida em plena Idade Média, tentando manter sua ordem enquanto enfrenta criaturas que não compreende. Os vikings, antes vistos como caricaturas heroicas, ganham contornos mais realistas, presos a tradições tão antigas quanto as próprias pedras que pisam, e os dragões, que sempre encantaram pela fantasia, surgem aqui com uma presença mais pesada, mais palpável. Não são monstros cegos, mas também não são mascotes dóceis. São parte daquele mundo, e o filme tenta mostrar isso sem suavizar. A relação entre humanos e criaturas nasce do choque, não da harmonia imediata, e isso dá outra força ao arco que se desenvolve. É uma reinterpretação que não busca reinventar o impossível, mas observar o já conhecido por um ângulo mais direto. Ao final, fica a sensação de que o velho conto ainda tem espaço para ser relido quando se olha para ele com a honestidade das histórias contadas à moda antiga sem pressa, sem medo de mostrar que a fantasia também tem sombra.
9. Caras Malvados 2
Diretor: Pierre Perifel
O filme de Pierre Perifel chegou aos cinemas com aquela força que não precisa de anúncios espalhafatosos. Veio avassalador, sustentado por comentários críticos que, apesar do entusiasmo, não deixaram de notar o essencial: a turma de malandros reformados em Os Caras Maus 2 continua afiada, divertida, com aquele humor que brinca sem perder a mão. Muitos disseram tratar-se de uma adaptação competente da franquia da DreamWorks, fiel ao espírito dos animais ladrões que tentam acertar as contas com o mundo e com eles mesmos. Nesta nova aventura, a velha guarda é arrancada da sua aposentadoria prematura. Nada de descanso, nada de calmaria. São forçados a voltar ao jogo, não por nostalgia, mas por pura necessidade, e o destino ainda lhes impõe um aliado improvável: um esquadrão criminoso formado apenas por mulheres, astutas e diretas, sem paciência para hesitações. É uma união que parece desafiar o equilíbrio da quadrilha, mas que acaba dando ao filme um fôlego novo, sem se afastar da tradição que fez o primeiro sucesso funcionar. Perifel conduz tudo com um sentido de ritmo que lembra os desenhos antigos, quando a irreverência era moldada com cuidado e não com pressa. Há tensão, claro, mas uma tensão honesta, sem truque barato. E, por trás das piadas e das corridas desenfreadas, fica aquela sensação de que, às vezes, o último assalto diz mais sobre quem se é do que sobre aquilo que se pretende roubar. É um filme que diverte, sim, mas que também reconhece suas raízes, tratando a travessura com a seriedade que só o tempo ensina.
8. Uma Batalha Após a Outra
Diretor: Paul Thomas Anderson
Um dos primeiros filmes a usar a estética do VistaVision nas filmagens principais desde os anos 1960, a obra de Paul Thomas Anderson chega com aquele peso antigo, quase artesanal, que já não se vê com frequência. Ele conduz a narrativa com mão firme, sem concessões, como se quisesse recordar ao público que a imagem ampla, quando usada com propósito, pode carregar uma força que dispensa qualquer modernidade excessiva. O resultado é um filme poderoso, com um toque de magia dura, que acompanha a jornada de um ex-revolucionário arrastado de volta ao passado que tentou abandonar, O protagonista, perseguido por um oficial militar corrupto, assume uma gravidade que cresce a cada cena. Leonardo DiCaprio entrega uma interpretação premiada e inquieta de Bob Ferguson, um antigo especialista em explosivos do grupo French 75. Há algo cansado no olhar dele, como se carregasse o peso de um tempo que não volta, e isso dá ao personagem uma verdade difícil de ignorar, Sean Penn, por sua vez, surge com uma presença fria e calculada como o líder militar da Mankind United. há exageros, não há heroicidade. É só um homem endurecido pelo poder, perseguindo o French 75 com uma convicção que chega a incomodar. Ele se destaca precisamente por essa crueza, por esse modo direto de existir dentro da história, O filme se impõe tanto nos detalhes técnicos quanto na construção narrativa. A fotografia em VistaVision amplia cada silêncio, cada poeira suspensa no ar, enquanto a montagem segue um ritmo que não corre para agradar. Anderson entrega algo que parece dialogar com um cinema de outra época, mais paciente, mais rigoroso, confiando que o espectador ainda sabe assistir sem ser carregado pela mão. É, sem dúvida, um dos trabalhos mais sólidos do ano daqueles que permanecem mesmo depois de o ecrã escurecer.
7. Pecadores
Dirigido por Ryan Coogler
Pecadores é daqueles casos raros em que a mistura não deveria funcionar, mas funciona e ainda surpreende. Ryan Coogler entrega um filme mediano na superfície, porém cheio de arestas que se tocam de modos improváveis. Há um espírito de blues atravessando a trama, um lamento profundo que lembra o que eu imaginaria ver naquele último trabalho de Chadwick Boseman. Mistura-se a isso um quê de Tarantino, com aquele jogo moral torto, violento e quase irônico, e até ecos daquela fase de George Clooney dos anos 1990, quando ele mergulhou em histórias de irmãos perdidos num bar lotado de vampirosnum filme de Robert Rodriguez com Tarantino, Tudo isso compõe um mosaico que não deveria ter coesão mas acaba tendo. Coogler parece brincar com os ecos do cinema que o formou, como se testasse até onde pode ir sem quebrar o feitiço. Enquanto isso, outros filmes de monstros lançados no mesmo período tentam seguir o caminho oposto: o da pureza. Adaptam obras conhecidas ou nem tanto tentando manter fidelidade absoluta a mitos antigos, a romances de terror que atravessaram décadas. São filmes que buscam ser “corretos”, respeitosos demais, como se o passado fosse uma peça de museu que não se pode tocar, Pecadores, porém, prefere a imperfeição. E é justamente essa ousadia esse gesto meio torto, meio arriscado que o destaca. Ele não quer ser um clássico imediato, nem um tributo reverente. Quer apenas existir no cruzamento de tradições distintas, deixando que o espectador sinta o choque dos estilos, das vozes, dos temas. E, estranhamente, é nesse caos calculado que o filme encontra a sua alma.
6. Nosferatu e Frankesntein
Respectivamesnte dirigidos por Robert Eggers e Guillermo Del Toro
Ambos os filmes de terror adaptam obras antigas com um respeito quase ritual, e isso já os coloca num terreno diferente do que costuma sair hoje. Del Toro, com sua obsessão pelo detalhe e pela melancolia, trata a fonte literária como se fosse um relicário. Nada é tocado sem peso, nada é modernizado por capricho. Ele busca o espírito original, aquele misto de assombro e tristeza que os autores imprimiram quando ainda escreviam à luz de vela. O resultado tem algo de místico, quase como se o filme respirasse a mesma poeira da obra que o inspirou, Eggers, por sua vez, segue outro caminho, mas chega ao mesmo lugar de reverência. O rigor dele é quase arqueológico. Ele cava a raiz do texto, mergulha nas tradições, nas línguas, nos medos ancestrais, e acende tudo com um olhar duro, sem suavizar a crueldade do passado. Seu filme parece uma evocação, não uma adaptação: lembra cerimónia pagã, fogueira acesa no meio da noite, sombras que avançam devagar, O curioso é como esses dois estilos tão distintos conversam quando se aproximam de histórias antigas. Del Toro traz a fantasia sombria, Eggers traz o peso da verdade bruta. Um trabalha a emoção, o outro a matéria. E, ainda assim, ambos alcançam algo raro: resgatar obras maravilhosas sem transformá-las em enfeite moderno, mantendo nelas aquela força atemporal que atravessa gerações. São filmes que não pedem aplauso. Pedem silêncio, o mesmo silêncio que antecede qualquer lenda.
5. Ladrões:
Dirigido por Darren Aronofsky
O Protagonista interpretado por Austin Butler é apenas um homem soterrado por escolhas ruins(principalmente quando largou o Baseball) se vê inesperadamente envolvido em uma perigosa luta pela sobrevivência no submundo do crime na cidade de Nova York do final da década de 1990, forçado a navegar por um mundo traiçoeiro que jamais imaginou tentando encontrar um fio de salvação num mundo que não se preocupa em oferecê-lo. Aronofsky, fiel à própria tradição, não suaviza essa jornada. Não há redenção fácil. Quando a esperança aparece, vem sempre misturada a medo, culpa e aquela sensação de que o passado segue atrás, incansável, tecnicamente, o filme mantém o rigor que o diretor gosta: trilha que pulsa como coração cansado, enquadramentos que revelam mais pelo que escondem do que pelo que mostram, e uma paleta de cores que insiste em lembrar que a vida raramente tem tons vibrantes quando se vive à margem. É desconfortável, mas honesto.
4. Oeste Outra Vez:
Dirigido por Érico Rassi
“Oeste Outra Vez”, de Érico Rassi, é um filme que escolhe caminhar devagar, como quem entende que o sertão real ou simbólico nunca se revela a quem passa apressado. Rassi trabalha a paisagem como extensão da alma dos personagens, mas sem romantizar nada. O oeste aqui não é cenário de lenda, é território duro, seco, onde cada silêncio pesa mais que um discurso inteiro, A trama acompanha figuras que parecem viver presas entre aquilo que foram e aquilo que ainda tentam ser. Não há heroísmo, não há valentia performada. Há sobrevivência. E Rassi, com sua câmera paciente, observa esse mundo com respeito, mas também com desconfiança postura que combina com a tradição dos velhos westerns, ainda que ele recuse o espetáculo e mantenha os pés bem fincados no chão brasileiro, Os personagens surgem cheios de falhas, e é justamente isso que os torna verossímeis. São homens e mulheres lidando com dívidas, terrenos disputados, lealdades quebradiças. Nada muito distante dos mitos de fronteira, mas aqui o mito não é celebrado: é desfiado aos poucos, até revelar o desgaste escondido por trás de toda narrativa de conquista, Tecnicamente, o filme mantém um rigor quase austero. A fotografia abraça os tons terrosos sem exagero e a trilha sonora se afirma mais nas ausências do que nos acordes. Rassi confia no olhar do espectador, permitindo que o vazio entre uma fala e outra construa o peso da história. É uma escolha que remete a um cinema antigo, quando a tensão nascia mais da espera do que da ação.
3. Jay Kelly
Diretor: Noah Baumbach
Um filme emocionante ou dramático, quando acerta no ponto, acaba sempre crescendo um pouco dentro de mim. Mas Jay Kelly faz mais que isso. Ele entra devagar, quase tímido, e de repente já está sentado no centro do peito, impondo presença. A história que traz para o ecrã, com George Clooney no papel principal, tem aquele ar de despedida silenciosa, como se o próprio cinema parasse por um instante para prestar homenagem a uma carreira inteira. Clooney encarna um ator no fim de um ciclo, com uma delicadeza que não precisa de discursos. A cena final… essa eu não consiguiria descrever com outra palavra que não seja bela ou bonita. Há ali uma verdade que não se fabrica, Adam Sandler surge como o empresário de Kelly, num daqueles papéis em que ele abandona a comédia fácil e abraça o drama com um peso inesperado. Não força a mão, não tenta ser maior do que a história. Ele apenas existe dentro dela, como um homem cansado, tentando segurar um mundo que insiste em escorrer pelos dedos. A dinâmica entre os dois é feita de silêncios mais do que de falas, e isso dá ao filme um ritmo quase antigo, daqueles que confiam no olhar e não na pressa, O conjunto se sustenta pela honestidade. Nada de melodrama fabricado, nada de emoção barata. O diretor, ao invés de correr atrás de efeitos, escolhe a via das pequenas verdades um gesto mal acabado, uma pausa que se prolonga, uma memória que volta. É um drama que lembra a tradição do cinema que tomava o seu tempo, que não tinha vergonha de ser simples. E talvez por isso mesmo ele se impõe, discreto, firme, deixando aquela impressão de que algumas histórias só funcionam quando contadas de frente, sem medo e sem floreios recheada com belos cenários pela Europa indo de Roma à Paris e Vice-e-Versa
2. O Esquema Fenicio
Diretor: Wes Anderson
Sem cair naquela fórmula hollywoodiana que insiste em se repetir como um relógio teimoso, Wes Anderson volta a provar que seu jeito singular ainda respira sem esforço. As cores pastéis, os enquadramentos milimétricos, os truques visuais que só ele maneja com naturalidade tudo retorna, mas não como cansaço. Retorna como artesanato, como tradição que se reinventa sem perder o fio, Del Toro entrega um papel enxuto, direto, sem afetação. Michael Cera o acompanha com aquele jeito meio desconcertado que funciona quando a história pede tensão sem exagero. E Mia Threapleton, filha de Kate Winslet e do cineasta Jim Threapleton, surge como um tempero raro. Não tenta roubar cena, mas dá ao filme uma vibração sincera, como se entrasse para preencher um vazio que Anderson deixou ali de propósito, O resultado é um filme de espionagem de médio porte, sem pretensão de grande épico, mas belo e emocional na medida certa. A narrativa avança com calma, sem curvas artificiais, confiando mais no olhar do espectador do que em reviravoltas gritadas. É um daqueles casos em que o estilo não engole a história. Pelo contrário: faz dela um objeto curioso, quase poético, lembrando que às vezes basta um toque de cor bem colocado e um silêncio no momento certo para que um filme encontre seu lugar.
1. O Agente Secreto
Diretor: Kleber Mendonça Filho
O meu filme favorito do ano carrega um peso que não se mede só pela técnica, mas pela memória. Dá um orgulho quieto de ser brasileiro, desses que não se alardeiam, mas que se sente fundo. Mostra uma parte inapagável da nossa história, sem medo de tocar nas feridas que insistem em não cicatrizar. Assim como o seu antecessor histórico Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, a Ditadura Militar surge novamente, mas aqui aparece de modo mais difuso, mais escondido nos recantos do poder: um diálogo sussurrado, uma corrupção que escorre pelas frestas, um assassinato que parece acontecer no silêncio da madrugada. Nada explícito, e talvez por isso mesmo mais verdadeiro, O Agente Secreto funciona como uma trama de gato e rato, mas não a gênero barato. É a história de um professor encurralado por um homem muito rico um desses que poderia, sem esforço, ocupar o posto de vilão num filme antigo de espionagem britânica. Esse antagonista aproveita-se dos lucros e dos bens da universidade onde Armando/Marcello, vivido por Wagner Moura, trabalhava como professor de tecnologia. O título poderia enganar os desavisados: não se trata de espionagem no molde tradicional, sem gadgets brilhantes nem perseguições coreografadas. O que temos é uma conspiração silenciosa, quase burocrática, mas com um veneno lento que revela o quanto o poder pode distorcer a vida comum, No fim das contas, O Agente Secreto é nota dez em tudo. Não pela perfeição, que raramente existe, mas pela coragem de contar a verdade com simplicidade, sem perder o pulso. Foi um dos poucos filmes capazes de me emocionar ao ponto de quase derramar lágrimas emoção rara, que ano passado Ainda Estou Aqui já havia provocado com a força dos relatos da família Paiva. Há algo de profundo nessa continuidade: duas obras que, cada à sua maneira, devolvem ao Brasil a memória que tantos tentaram apagar. E isso, por si só, já sustenta qualquer elogio.
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